quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

15ª

A professora disse que tinha perdido a imaginação, que não tinha mais idéia de história nenhuma pra contar. Isso dói nos ouvidos das crianças. Como a imaginação vai embora assim? Mas numa caixa de sapato ela tinha a solução. Todos queriam ver embora não acreditassem que o vô da profe coubesse lá dentro. Aos poucos ela foi mostrando o velhinho. Primeiro as pernas fazendo estripulia pra fora da caixa, depois foi-se revelando o corpo todo até chegar no sorriso que, naquelas alturas, era o mesmo em cada carinha de olhos atentos. De repente uma pergunta de todos na voz de um, uma menina soltou para o boneco “como é que você abre os braços assim?”. O vô respondeu na lata “como você abre os seus, do mesmo jeito”. E o vô foi perguntando o nome de cada um, emendando uma história na outra. Aos poucos, do jeito que só os avós sabem fazer, a sala inteira estava entregue àquele pedaço de pano pulsante manipulado pela professora. No final da aula aquela menina pediu pra pegar o vô da profe na mão, ela queria entender, não estava contente com a resposta. Mas calma, não se engane, isto não é incredulidade. A professora atendeu o pedido. Com a mão vestindo o fantoche a menina esperou e esperou, os olhos querendo flagrar o primeiro movimento. Nada. “Ele não mexe, ó! Ele não mexe profe!” A menina perguntou com os olhos “por que na minha mão o vô Tonico não se mexe? Nessa hora, a professora perdeu a realidade.

2 comentários:

Nicoli disse...

É exatamente isso, agora poético, assim como foi, e não sei contar!
Adoro ler teus textos, nunca pare de escreve-los!
Te amo, amor!!!
Beijosss

Anônimo disse...

Muito bem escrito mesmo.
Mas um dia quero ouvir tu me contando essa história Nicoli.
amo vcs.

Alberto.