<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385</id><updated>2011-09-25T07:25:30.638-03:00</updated><title type='text'>em doses diárias</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>18</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385.post-8278028750025715021</id><published>2010-04-05T23:35:00.002-03:00</published><updated>2010-04-05T23:37:06.451-03:00</updated><title type='text'>18ª</title><content type='html'>&lt;strong&gt;As sábias lições de Thiago parte I - O perigo das frutas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem por aí que tudo que é demais é veneno. Thiago me ensinou algo parecido com isso no consultório médico. Aos cinco anos é especialista em fotografias de revista de consultório. Numa propaganda de suco de frutas ele viu pessoas com copos e garrafas de suco de banana e morango, e na seqüência as mesmas pessoas com as mão vazias mas no lugar das cabeças, um morango e uma banana sorridentes. Não teve dúvida: “quem come muito morango, fica com cabeça de morango, quem come muita banana, fica com cabeça de banana”. E foi além, “quem toma muito suco, fica com cabeça de garrafinha de suco”. Depois ele confidenciou preocupado, “adoro maçã” e se encostou pensativo na poltrona da sala de espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Parte II – alguém viu um patinador de gelo por aí?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thiago é freqüentador assíduo do consultório, na mesma semana acompanhou a mãe e o pai para examinar seus estômagos. “Eu não preciso né mãe, porque já tomei bastante injeção, né?” (ele faz questão de pronunciar bem as vogais). A mãe concorda carinhosa enquanto folheia uma revista qualquer. Ele conhece todas as revistas de trás-pra-frente-de-frente-pra-trás e a que mais gosta é daquele patinador do gelo. (O fotógrafo deve ser dos bons, daqueles que capta o movimento com precisão tamanha que o patinador parece que vai sair da folha. Mas não sei direito, não vi a foto.) A mãe insiste em mostrar a revista. Thiago, superior, solta “não precisa me mostrar mãe, porque eu já vi ta bom?”, mas não tira o rabo de olho de cada folha. E completa certo de si, “essa é do patinador do gelo”, Repete como se ele próprio fosse o “patinador do gelo”. A mãe entra no jogo, passeia devagar pela revista, provocando. Perto das últimas páginas, Thiago estranha, e do desinteresse fingido se entrega. Com a cabeça no ombro da mãe e os olhos tocando as fotografias coloridas, constata: “ué, o patinador não tá mais na revista!? Hum, deve ter ido embora...”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3139074412937533385-8278028750025715021?l=emdosesdiarias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/8278028750025715021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3139074412937533385&amp;postID=8278028750025715021' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/8278028750025715021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/8278028750025715021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/2010/04/as-sabias-licoes-de-thiago-parte-i-o.html' title='18ª'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385.post-7697225511447755529</id><published>2010-03-17T20:44:00.003-03:00</published><updated>2010-03-17T21:44:13.261-03:00</updated><title type='text'>17ª</title><content type='html'>Luis Xavier. Pescador, caçador, e contador de histórias, isso praticamente é ser contador de histórias por três vezes ao mesmo tempo! De todas as mentiras que ele já contou, a mais verdadeira foi aquela de quando pescou um bagre que tinha engolido um rádio. O pessoal do boteco do Keka já levava tudo como a mais pura verdade, porque a diferença é pequena mesmo, ainda mais quando você é quem escolhe. O seu Luis, acreditava em tudo o que contava sempre. E foi assim com a história do bagre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Conta aí seu Luis, aquela do bagre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, voltei da pesca, limpei um bagre que tinha pego, gordo, barbudo. Botei a cabeça do bagre apoiada numa boca apagada do fogão"pra fazer companhia" hehehe. O resto do peixe na frigideira. Chiaço normal do óleo quente...de repente um barulho estranho: zzzzum...ióóó...ziunzoim...schiiiii....tic tic tic....zzzzziiiinn.... Aquele susto. Num entendia de onde vinha, olhei pros zóio de peixe morto da cabeça do bagre, pra saber se o bicho tava morto mesmo. Vai saber, hoje em dia... Falei pra cabeça: "Tu, eu sei que não falou".&lt;br /&gt;- E o bagre seu Luis?&lt;br /&gt;- Pior que num respondeu. Virei o bicho na frigideira e o ruído parou. Olhei de novo, desconfiado, pra cabeça mas não vi diferença nenhuma no olhar do bagre. Virei de novo na frigideira, comecei a bater com o garfo na barriga do bicho e o som voltou. Dei uma batida mais forte e aumentou o volume. Dei outra com a mesma força e o volume aumentou de novo. "To pegando o jeito", pensei. Baixei o fogo e fiquei ali, fritando o peixe, batendo uma vez com força e outra vez mais leve. Experimentei bater com a faca pra ver que efeito dava. Um bagre na minha mão, leva uns quinze minutinhos pra ficar pronto, aquele não, já se iam uns quarenta que eu tava virando, batendo, garfando, tudo em fogo baixo, já disse. O arroz tava frio na mesa e a água pro pirão ia ter que voltar pra chaleira. E eu não sossegava, suado, insistia em maltratar o bagre. Enfim, depois de tanto cutucar o peixe, que de peixe só tinha a lembrança e o cheiro espalhado pela casa, consegui sintonizar uma estação de rádio. E vocês não vão acreditar...&lt;br /&gt;- Fala homem.&lt;br /&gt;- A pilha acabou e eu saí pra comprar comida, que eu tava cuma fome!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade melhor, é que eu realmente conheci o seu Luis Xavier!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3139074412937533385-7697225511447755529?l=emdosesdiarias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/7697225511447755529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3139074412937533385&amp;postID=7697225511447755529' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/7697225511447755529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/7697225511447755529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/2010/03/17.html' title='17ª'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385.post-8090970072855286812</id><published>2010-03-15T22:51:00.004-03:00</published><updated>2010-03-16T00:06:51.369-03:00</updated><title type='text'>16ª</title><content type='html'>Os dias em que mais tenho coisas a fazer são os que mais me fazem pensar em coisas além das quais eu devia fazer.&lt;br /&gt;Hoje me peguei pensando, estou a quase dois anos trabalhando no Poder Judiciário de Santa Catarina, na área criminal. Algo muito diverso do que pensei pra mim, embora tenha feito o concurso em 2005. Estava atrás de um emprego na época. Acabei sendo chamado 3 anos depois, sem esperar, justo na fase do desespero pós-universidade, quando a gente desperta pro mundo e se dá conta de ser um desempregado graduado! Mas quero chegar em outro ponto. Quando entrei no Judiciário, encontrei um universo em grande parte diferente do qual estive imerso nos 4 anos de universidade. Me deparei com muitos preconceitos, inclusive os meus! Sempre me chocou a visão de algumas pessoas acerca dos presos e de seus crimes. Aprendi com amigos e professores a analisar contextos que condicionam as ações humanas em diversos âmbitos, a respeitar diferenças, compreender ou buscar a compreensão dos processos porque passam as sociedades, os grupos, as comunidades. Já no primeiro mês de trabalho tivemos de prender uma pessoa que descumprira algumas condições de sua pena. As minhas pernas tremiam, meu coração disparou, suei frio, tive vontade de chorar, me senti um lixo, meu corpo todo se contraiu com a cena. Me disseram que com o tempo me acostumava. Mas pra mim era certo, "não tem como me acostumar". Naquele momento não me importava que delito o fulano tinha cometido, quem fora a vítima. Ele era um ser humano sendo privado da liberdade. Mais tarde, fiz uma visita ao Presídio Regional de Joinville. O cheiro que sobe das celas imundas é desagradável. Porque não é cheiro de roupa suja, de chão sujo, de resto de comida, de fezes e urina, mas sim, cheiro de GENTE, de pela ensebada, de suor, de privação, de raiva, de medo, de rancor, de vingança, de conformidade, uma mistura que não desce por estômago nenhum. Saí de lá com no mínimo o triplo do meu peso sobre os ombros. No decorrer de quase dois anos, muitas pessoas foram presas no balcão, por motivos semelhantes e justicativas diversas. Passei a compreender o "processo" de pessoas que pouco se importavam, ao meu ver, com o "processo" dos condenados. E percebi que aos poucos a gente se vê imerso numa realidade que poucos conhecem. Outra sensibilidade se constrói. E é muito difícil você olhar o outro, o condenado, sem julgá-lo. Sempre repeti para mim mesmo. O condenado já foi julgado pelo juiz, não cabe a mim fazer o mesmo, não é minha função. Hoje percebo que de certa forma, o julgamento começa por nós, funcionários/pessoas comuns pelo menos em termos de moral. E nossas ações, nossas obrigações são apenas a continuidade daquilo que a sociedade ofereceu, ou deixou de oferecer para todos e que se materializa no cumprimento seco e por vezes literal da LEI. Até aí nenhuma novidade, apenas uma velha constatação. O que me dói hoje, é perceber em mim uma raiva daqueles que cometem crimes bárbaros, daqueles que não saem do mundo do crime. Não mudou a minha percepção e entendimento da realidade que pode ter levado as pessoas a cometerem seus crimes, embora questione muitas vezes o momento da escolha que acredito ter havido em muitos dos casos. Não sei, mas às vezes penso que por mais que nossas ações sejam reflexos da coletividade, das circunstâncias e condições que nos cercam, talvez exista um momento X de individualidade que não me permite aceitar a escolha feita por uns - o estupro de uma criança, o assalto a uma velhinha, o sequestro, o atropelamento causado por um bêbado, o tráfico e tudo mais. Daí passa pela cabeça, a lei do Taleão, "olho por olho, dente por dente", e me percorrem por dentro desejos odiosos e tristes. Então me deparo com uma face de mim que negava anteriormente. Isso me desestabiliza. Falo daquela raiva e daquela fala dura de muitas pessoas, "tem que sofrer pra pagar, pena de morte, paredão". Mas isso não é nada definitivo, pelo contrário, denota mais o grito causado pela nossa fragilidade, embora não deixamos de ser algozes de certa forma. É doido, controverso e logo, infecaz, pensar em projetos de atitudes desumanas que vem em mente para proteger uma certa humanidade, isso soa um tanto "primitivo", "bárbaro". Isso me desestabiliza, mas não a ponto de abalar completamente o que acredito. Fico feliz em dizer que não me acostumei a presenciar a prisão de pessoas, que judicialmente, moralmente, que na visão popular merecem ser presas.&lt;br /&gt;Não queria chegar a lugar nenhum aqui. Só falar um pouco dos meus dias.&lt;br /&gt;Sou ator e professor de história (não atuante em sala de aula) e isso me salva quase sempre e me condena todos os dias, ainda bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3139074412937533385-8090970072855286812?l=emdosesdiarias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/8090970072855286812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3139074412937533385&amp;postID=8090970072855286812' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/8090970072855286812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/8090970072855286812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/2010/03/16.html' title='16ª'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385.post-3370428551294272788</id><published>2010-02-25T11:12:00.000-03:00</published><updated>2010-02-25T11:13:05.001-03:00</updated><title type='text'>15ª</title><content type='html'>A professora disse que tinha perdido a imaginação, que não tinha mais idéia de história nenhuma pra contar. Isso dói nos ouvidos das crianças. Como a imaginação vai embora assim? Mas numa caixa de sapato ela tinha a solução. Todos queriam ver embora não acreditassem que o vô da profe coubesse lá dentro. Aos poucos ela foi mostrando o velhinho. Primeiro as pernas fazendo estripulia pra fora da caixa, depois foi-se revelando o corpo todo até chegar no sorriso que, naquelas alturas, era o mesmo em cada carinha de olhos atentos.  De repente uma pergunta de todos na voz de um, uma menina soltou para o boneco “como é que você abre os braços assim?”. O vô respondeu na lata “como você abre os seus, do mesmo jeito”. E o vô foi perguntando o nome de cada um, emendando uma história na outra. Aos poucos, do jeito que só os avós sabem fazer, a sala inteira estava entregue àquele pedaço de pano pulsante manipulado pela professora. No final da aula aquela menina pediu pra pegar o vô da profe na mão, ela queria entender, não estava contente com a resposta. Mas calma, não se engane, isto não é incredulidade. A professora atendeu o pedido. Com a mão vestindo o fantoche a menina esperou e esperou, os olhos querendo flagrar o primeiro movimento. Nada. “Ele não mexe, ó! Ele não mexe profe!” A menina perguntou com os olhos “por que na minha mão o vô Tonico não se mexe? Nessa hora, a professora perdeu a realidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3139074412937533385-3370428551294272788?l=emdosesdiarias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/3370428551294272788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3139074412937533385&amp;postID=3370428551294272788' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/3370428551294272788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/3370428551294272788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/2010/02/15.html' title='15ª'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385.post-8032164964764103396</id><published>2010-02-23T09:12:00.001-03:00</published><updated>2010-02-23T09:12:54.942-03:00</updated><title type='text'>14ª</title><content type='html'>Não sei o que vai dentro&lt;br /&gt;Se é só saudade.&lt;br /&gt;Mas de fora, vem o cheiro&lt;br /&gt;E invade&lt;br /&gt;Talvez seja minha alma voltando&lt;br /&gt;Pra ver como vão as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem o gosto na boca:&lt;br /&gt;dança de roda, futebol na rua,&lt;br /&gt;corrida atrás de pipa,&lt;br /&gt;joelho ralado, casa na árvore,&lt;br /&gt;colo de mãe, abraço de pai,&lt;br /&gt;e muito açúcar, (não pode faltar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo, vai cozinhando minhas lembranças,&lt;br /&gt;Em fogo baixo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3139074412937533385-8032164964764103396?l=emdosesdiarias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/8032164964764103396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3139074412937533385&amp;postID=8032164964764103396' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/8032164964764103396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/8032164964764103396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/2010/02/14.html' title='14ª'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385.post-4388627511459929836</id><published>2010-02-14T23:04:00.001-02:00</published><updated>2010-02-14T23:10:35.256-02:00</updated><title type='text'>13ª</title><content type='html'>Se coração de mãe já é grande, vó deve ter dois. Por isso que casa de vó é um aconchego só, pro resto da vida. Os filhos crescem, mas os netos jamais. E neto que é bom, não esquece isso. Conheço um desses que chega na vó como quem não quer nada pra conseguir tudo.&lt;br /&gt;- Hei vó, não precisa se incomodar em fazer um bolinho de chuva pra mim não!&lt;br /&gt;- Não é trabalho não meu filho!&lt;br /&gt;- Ai vó, saudade daquele cafezinho com leite que só a senhora sabe fazer.&lt;br /&gt;A vó não perde tempo enquanto o neto se espalha no sofá perguntando se ela quer ajuda. Tá armado o teatro, aquele acordo silencioso, gostoso, só no gesto. Amor doce.&lt;br /&gt;Fico pensando: os bons malandros devem ter as melhores avós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3139074412937533385-4388627511459929836?l=emdosesdiarias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/4388627511459929836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3139074412937533385&amp;postID=4388627511459929836' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/4388627511459929836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/4388627511459929836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/2010/02/13.html' title='13ª'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385.post-5867338015064327382</id><published>2010-02-09T22:07:00.001-02:00</published><updated>2010-02-09T22:07:40.096-02:00</updated><title type='text'>12ª</title><content type='html'>O pai estava preocupado. Há dias o filho não tirava os olhos da parede. “Talvez seja a televisão”. Chegou mais perto, viu a solidez da parede, o menino via além. A mulher dizia que era coisa de menino, e lixava as unhas. Para ele, coisa de menino era coleção de figurinhas, vídeo-game, coisas assim. “Agora, ficar olhando uma parede como se o mundo tivesse parado, era estranho demais! O que os outros vão pensar?”&lt;br /&gt;A verdade é que o menino sempre teve os olhos voltados para outras coisas. O pai não entendia. O caso era que o filho mal piscava os olhos quando o pai saiu para o trabalho. “O que se passava na cabecinha dele?” O pai pensou “daqui a pouco passa” enquanto tirava o carro da garagem. Pensou melhor, “e se não passa?”&lt;br /&gt;Pedro seguia a rotina dos meninos da sua idade, o pai decidira há dois meses, antes de ser transferido para a nova cidade, “o Pedro vai ter que se acostumar”. O menino tentava acostumar-se com a rua de barro sem saída, com um terreno baldio no final, barro e mato, depois do mato um muro alto e comprido. Para o Pedro, aquilo era novo, o que soava estranho para os outros meninos. Logo, ele era estranho também.&lt;br /&gt;Todas as tardes os meninos o viam sentado numa pedra enorme no terreno riscando o chão com um galho seco até a hora que a mãe o chamava. Só não entenderam quando, num dia desses, o Pedro começou a se sujar de barro perto da hora que a mãe sempre chamava, depois corria de um lado pro outro até um fiozinho de suor escorrer pelo rosto. Então a mãe gritava “Pedro”! Ele atendia. Todo dia o mesmo ritual.&lt;br /&gt;O pai levantava cedo, ligava a TV pro Pedro, ia pro trabalho, voltava tarde, conferia o cesto de roupas e se contentava. Era o seu ritual. Ao retornar naquele dia em que se assustou com o filho olhando sei lá o quê na parede, o sangue ferveu ao descobrir a roupa limpa no cesto. A mãe explicou que todo dia ajudava o Pedro a trocar a roupa da escola, olhava ele chegar ao terreno, fazia as coisas da casa e esperava a hora de chamá-lo, conforme o ritual que o marido tinha lhe dado. Ele esquecera de acrescentar à mulher que a roupa deveria estar suja. Ficou com raiva. Silêncio. Ela esperava a reação do marido, era boa em esperar.&lt;br /&gt;Em disparada pro quarto do Pedro, o pai pensou em sacudi-lo até que dissesse algo. Abriu a porta, a luz do corredor revelou a cama. O menino deitado, tranqüilo, de costas, o rosto voltado pra janela fechada. Viu o filho dormindo. Já Pedro, sentia o pai fechando a porta e sumindo. Os olhos do Pedro vidrados num filete de luz vindo da rua. Ele não sofria de nada, uma hora acaba falando. O pai e a mãe esperaram.. A vida seguiu seu curso e o casal passou se esqueceu da vida íntima, daquilo que aproxima os casais, do casamento. Perderam a cumplicidade.&lt;br /&gt;Naquela tarde em que Pedro não se sujara, os meninos notaram algo diferente nele. Não estava sentando na pedra de sempre. Os olhos haviam encontrado aberturas estreitas e compridas no chão seco.  Perdeu o olhar nelas e foi seguindo o caminho que elas formavam. A tarde já anunciava a noite e o Pedro continuava no caminho sem dar conta do tempo, até dar de cara com o muro alto no fim do terreno.&lt;br /&gt;Foi só no quinto chamado que o Pedro atendeu a mãe, que também não deu conta do tempo, como se tivesse chamado o filho apenas uma vez. Quando o marido voltou do quarto do filho, quem levou a sacudida, foi ela. Ele esbravejou, ela ouviu. Os dois choraram juntos. Foi a primeira vez que o silêncio os confortou. Abraçados, deixaram a noite cair. A esperança pegou carona num filete de vento vindo da janela.&lt;br /&gt;No café da manhã de sábado, Pedro viu os pais sentados lado a lado à mesa, tirou o miolo do pão e os espiou pelo buraco. O pai tentou sorrir, a mãe pegou o pão do menino e passou margarina. Pedro não sabia que o pai ficaria o fim de semana inteiro em casa, sem clube, futebol nem carteado, nem que o pai o vira desencostar a TV da parede pra olhar mais de perto a rachadura. Sequer se dera conta do pai seguindo-o até o muro que ele tanto olhava. O pai fechou as mãos, hesitou. Precisava de uma solução.&lt;br /&gt;No almoço Pedro ficou sob o olhar vigilante do pai. Finda a refeição, a mãe foi pro ritual de sábado, Pedro retirou um livro da estante e foi pra sala, o pai logo atrás, escondido numa leitura fingida de um jornal velho. O menino colocou o livro deitado na frente dos olhos abrindo-o só um pouquinho. Pela abertura olhou em volta da sala, depois a rachadura da parede. Dentro dela e mais além, um universo inteiro se abria só pra ele. A respiração tranqüila, o corpo relaxado, a mente voando longe.&lt;br /&gt;Os olhos do pai passando por cima do jornal, depois acima da cabeça do Pedro, pela abertura do livro até a parede, sem entrar na rachadura. O pai, congelado, tentava entender. O corpo tenso, as mãos suando. Susto: o livro estava virado em sua direção, com um olhar profundo no outro lado. Não conseguiu encarar. Saiu da sala, atordoado. Tentou dormir. Trancou-se no banheiro, “um banho gelado dá cabo nisso”, porém o olhar do filho o seguiria aonde fosse.&lt;br /&gt;O pai se viu nos olhos do filho, viu a própria fraqueza. Isto doía no orgulho de homem. Sentiu ódio do menino, depois de si mesmo. A tranqüilidade inabalável do Pedro era um tormento e seu olhar intenso estava impresso a sua volta, nos azulejos, na pia, na porta fechada. Lembrou da perseguição ao filho, das roupas limpas no cesto, do ritual dado à mulher, das mudanças de cidade. Susto maior: refletida no espelho, a rachadura da parede da sala. O que fazer?&lt;br /&gt;Era noite quando saiu do banheiro, decidido, rumo ao quarto do Pedro. Encontrou a mulher no corredor, olharam-se por milésimos de segundo e entenderam-se. Ela, do lado de fora, calma como de costume, deixou-o entrar. O marido parecia outro, um tom de alívio no rosto, “dever cumprido”, quando saiu do quarto deixando atrás de si, apenas uma fresta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3139074412937533385-5867338015064327382?l=emdosesdiarias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/5867338015064327382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3139074412937533385&amp;postID=5867338015064327382' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/5867338015064327382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/5867338015064327382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/2010/02/12.html' title='12ª'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385.post-1584878217474669206</id><published>2010-02-02T01:23:00.003-02:00</published><updated>2010-02-02T01:27:43.370-02:00</updated><title type='text'>11ª</title><content type='html'>Madrugada na cara, o sono foi embora. Já é amanhã a mais de uma hora e não me despeço do hoje-ontem. Isso é um luxo em dias tão ligeiros ou um engodo para o corpo, que cansa. O menino me segue pelos cômodos em fotografias sem assinatura. Eu sei de onde vem. Na parede a infância azul compete com o amarelo do tempo enternecendo o reboco, o concreto, a ferragem galvanizada. As memórias estão sempre à minha espera nas esquinas, que são outras. Outras, como minhas faces, que são a mesma por debaixo da calvície que vem, do grisalho nascente, da metamorfose que sou. Sigo então, com o aparente sem-assunto de costume, tão recorrente em mim que às vezes acredito ser o menino frente uma visão futura, sem compreender e sem se dar conta disso. Então o alívio não vem, nem eu o quero. Cultivo essa ausência de senso, como se fosse a dor de amor. E a infância, não é um amor que se foi?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3139074412937533385-1584878217474669206?l=emdosesdiarias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/1584878217474669206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3139074412937533385&amp;postID=1584878217474669206' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/1584878217474669206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/1584878217474669206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/2010/02/11.html' title='11ª'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385.post-6920966797977699029</id><published>2010-01-26T01:11:00.003-02:00</published><updated>2010-01-26T01:18:01.407-02:00</updated><title type='text'>10ª dose - quem sabe uma cor pra saudade... (Pro Tonicão, pra Nicoli, pro Alberto e pra Gisa - contadores, ouvintes e amantes das narrativas)</title><content type='html'>Quando nasceu Nicoli, já veio contrariando, não queria abrir os olhos. “Vai ver não tá pronta ainda!”, alertava o vô Tonico, “não se pode olhar assim pro mundo, de uma hora pra outra”. Mas o médico tinha feito as contas, oras bolas! Dia 22 de março e pronto, tava feito o alívio da mãe, que mal conseguia carregar a barriga. Depois de nascida, no dia 22 mesmo, todo mundo ficou meio assim, cumpé atrás. Só o vô é que tava tranqüilo. “Eu sei das coisas”, ele dizia enquanto apagava o palheiro na varanda da casa e a vó jogava fora mais uma embalagem de maço de vela, acendida pra Nossa Senhora. O médico, escondeu o suor da testa, disse pra família que era normal e se enfiou no consultório: “não deixa ninguém me atrapalhar”, falou pra secretária e sumiu por trás de um pilha de livros. O vô Tonico foi o último a ir no hospital visitar a primeira neta. Chegou sorrindo, como de costume. Olhou pra picorrucha, “embrulhada pra viagem”, e começou a fazer o que melhor sabia, contar histórias. Contou a primeira, e nada. Contou a segunda, e a mesma coisa. Começou a terceira e quando ameaçou parar a história, Nicoli piscou o olho esquerdo, o do contra. Vô Tonico contou o resto e quando chegou no fim a menina deu um sorrisinho de lado e abriu os dois olhões, azuis que nem os do avô, e fechou-os em seguida. “Essa é das minhas”. E foi assim por algumas horas. A menina conheceu primeiro o mundo que o vô apresentou a ela, “uns olhinhos tão jovens merecem um mundo mais leve”. Por isso, no começo vô Tonico não abusou das cores, contou um causo todo em azul, uma daquelas histórias de pescaria, a segunda coisa que ele sabia fazer melhor. Depois pegou uma história amarelinha que nem os girassóis do caminho que levava até a casa da sua primeira namorada, a vó da Nicoli. Só mais tarde, arriscou o vermelho, igual o do estofado do fusca que o vô prometeu levá-la pra passear. Dali pra frente, o vô foi misturando as cores e inventando coisas, e ele acreditava tanto no que contava que nem percebeu a menina arregalada pra ele sem nem piscar. Quando se deu conta já era dia 23 e a menina já via as cores que a vida esconde. Como bom contador de histórias, ele tinha uma de ninar e ela, mesmo sem vontade, teve que fechar os olhos pra dormir. Isso foi há muito tempo. Ninguém sabe, até hoje, se foi descuido, acaso ou destino, mas até os dezesseis anos de Nicoli, a família comemorava seu aniversário no dia 23, o dia em que o vô a ensinou a escolher as cores pro mundo. Mas isso não vem ao caso. Hoje, quando ela conta histórias para seus alunos, fecha os olhos segundos antes de começar, e vê a primeira coisa que viu quando abriu os olhos pela primeira vez: o sorriso do avô, depois de ter dito que ela “era das dele”. Ele tinha razão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3139074412937533385-6920966797977699029?l=emdosesdiarias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/6920966797977699029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3139074412937533385&amp;postID=6920966797977699029' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/6920966797977699029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/6920966797977699029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/2010/01/10-dose-quem-sabe-uma-cor-pra-saudade.html' title='10ª dose - quem sabe uma cor pra saudade... (Pro Tonicão, pra Nicoli, pro Alberto e pra Gisa - contadores, ouvintes e amantes das narrativas)'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385.post-6873806887458225273</id><published>2009-12-17T10:17:00.003-02:00</published><updated>2009-12-17T10:29:34.568-02:00</updated><title type='text'>9ª dose</title><content type='html'>Resposta nenhuma. Felipe sente a mãe saindo, cléc, tummm. Sozinho de novo, no escuro do quarto. O único sinal de luz deve ser aquele debaixo da porta, vindo do quarto dos pais. Veja bem, deve ser é uma suposição, porque ele não arrisca abrir os olhos. Sozinho, sempre pensa coisas pra espantar o medo.&lt;br /&gt;Não entende o que se passa com os adultos, “a vida deles era pra ser mais fácil, gente grande pode o que quiser! Criança é que vive difícil, não pode nada, adulto diz não pra tudo”. Fica pensando na cozinha da sua casa quando crescer. “Vai ter uma só com leite condensado, um monte de latinhas abertas cada uma com uma colher. Outra coisa que quer é um armário só com camisas pra sujar de suco e na toalha da mesa estará escrito: “Por favor, derrame seu suco aqui”. Na casa do Felipe quase sempre ele ou a irmã derramam alguma coisa na mesa e a mãe emenda um “qual é o dia? Qual é o dia que vocês não derramam nada?”. O que ele não entende é que quando algum adulto derrama, ninguém abre o bico. Só fica a vontade de dizer passando da cabeça pra garganta, da garganta pros olhos, dos olhos dele pros da irmã, dos da irmã pros dele, e dos dois pares de olhos pros pratos, com um sorrisinho no canto da boca.&lt;br /&gt;O que não tem cabimento mesmo, mesmo para a criança mais paciente do mundo, é quando os pais deixam os filhos brincarem na rua e na hora de voltar pra casa ficam chiando por conta dos pés sujos. “Menino, por onde você andou que tá com os pés encardidos? Parece que você procura lama pra pisar de propósito!”&lt;br /&gt;Mas hoje ele cismou com outra coisa. “Mãe, por que eu e a mana, que somos pequenos temos que dormir sozinhos e de luz apagada? E você e o pai que são grandes dormem juntos e com a luz acesa?”. Ela riu, e até que procurou uma resposta. Felipe sempre a deixa assim, sem saber o que dizer. Ele por sua vez pensou “vai saber! Adulto complica tudo mesmo.” Pensou de novo, “no fundo eu até que sou corajoso”. E dormiu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3139074412937533385-6873806887458225273?l=emdosesdiarias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/6873806887458225273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3139074412937533385&amp;postID=6873806887458225273' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/6873806887458225273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/6873806887458225273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/2009/12/9-dose.html' title='9ª dose'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385.post-2495270945876085928</id><published>2009-12-11T08:48:00.001-02:00</published><updated>2009-12-11T08:49:48.873-02:00</updated><title type='text'>8ª dose - "o mar tem rosto?"</title><content type='html'>O menino foi catando coisas pelo caminho. Um toco de pau ali, umas pedras acolá, um pedaço de cano que encontrou num terreno de uma casa em construção. A menina, não. Comportada, segurava a mão do homem com a leveza das mãos das crianças. Ela cuidava onde pisava para não sujar os sapatos nem a calça. O menino só queria desbravar, as mãos já manchadas de barro. O homem, silêncio, coração apertado, angústia, solidão, pensando coisas que cabem aos adultos. Chegaram os três à praia, que estava lá só pra eles.&lt;br /&gt;O homem sentou na areia úmida, marcada pela maré alta. A menina sentou ao seu lado, pegou uma vareta cansada de navegar e virou ela numa caneta ou lápis, quietinha se pôs a desenhar, escrever seu pensamento leve e solto. O menino, bem... o menino se espalhou pela praia perseguindo caranguejos, deixando rastros atrás de si, usufruindo a sua liberdade. Ambos, sendo, apenas sendo...ah...crianças. Já o homem: refletia, queria entender, então olhava o mar e depois do mar, até onde os olhos chegavam e um pouco mais além e não via. Mas a menina viu e perguntou se o mar tinha rosto. Respiração...e o homem respondeu perguntando o que ela achava. Achava que sim. Então tinha, oras! Ela sorriu.&lt;br /&gt;Mais perto da água, dum morrinho de areia que a maré fez a noite toda o menino fez um mirante e de lá das alturas imensas controlava o mar com outra vareta navegada que ele fez batuta, regeu o mar, o tamanho das ondas...agora uma média, uma grande, uma onda forte! Ele olhava para o homem compartilhando seus poderes. A menina perguntou se tubarão era peixe. E baleia? O homem explicou. Ela também queria descobrir coisas. E o mar estava lá, pra eles. De repente o homem viu. Viu o mar olhando ele. Pegou a mão da menina, assoviou para o menino. Ficaram os desenhos, a caneta, a batuta, o mirante, as coisas de adultos. Ficou também o mar, olhando o três indo embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrito em julho/2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3139074412937533385-2495270945876085928?l=emdosesdiarias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/2495270945876085928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3139074412937533385&amp;postID=2495270945876085928' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/2495270945876085928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/2495270945876085928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/2009/12/8-dose-o-mar-tem-rosto.html' title='8ª dose - &quot;o mar tem rosto?&quot;'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385.post-2070335855008015691</id><published>2009-12-10T00:23:00.000-02:00</published><updated>2009-12-10T00:25:36.777-02:00</updated><title type='text'>7ª dose - mais infância</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Bilhete – Tarefa pra Passarinho: leva o Listrado com cuidado, o vô vai saber porquê (“é junto e com acento mesmo”)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Miguel não tem tarefa hoje. A mãe resolveu que ele ia ficar em casa, a semana toda, pra ela não se sentir sozinha. Admira a forma como o menino lida com as ausências. Agora ela vai ter que dar conta de tudo. Miguel se ofereceu pra ajudar, economizando o lanche da escola ele junta uns cinco reais por semana. “Juro que junto!”. A mãe olha o filho tentando animar o Listrado, que tá tão tristinho, observa ele juntar a bolinha com guizo, o pote de ração e uma camisa velha virada em cobertor pro bichinho, embrulhando tudo. Na coleira, Miguel amarrou seu boneco preferido, “agora a fila vai sempre ficar com um lugar vago,” no peito do boneco, um buraquinho.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;- Cachorro vai pro céu?&lt;br /&gt;- Acho que não meu filho.&lt;br /&gt;- E passarinho, vai?&lt;br /&gt;- Passarinho vai.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;A mãe se divide entre juntar alguns objetos do vô e olhar o que o filho faz. Junta pouca coisa, um chapéu surrado, um pente de bolso, um pequeno baú enferrujando, tudo em cima da cadeira de balanço. A cada objeto uma pausa, os olhos naufragados. Com uma mão Miguel escreve algo num bilhete, com a outra esconde. O Listrado acompanha a mão do menino, a orelha em pé, os olhinhos brilhando, esperançoso, como se entendesse as palavras silenciosas de Miguel. A mãe não se mete em ler. O filho e o vô tinham seus segredos, sempre foi assim.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;- Se o passarinho for grande, pode carregar o que quiser?&lt;br /&gt;- Acho que sim.&lt;br /&gt;- Acha ou tem certeza?&lt;br /&gt;- Pode sim.&lt;br /&gt;- Até o Listrado?&lt;br /&gt;- Hum...acho que não.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;- Que pena, o vô ia ficar tão feliz em ver o Listrado, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinicius da Cunha setembro/2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3139074412937533385-2070335855008015691?l=emdosesdiarias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/2070335855008015691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3139074412937533385&amp;postID=2070335855008015691' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/2070335855008015691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/2070335855008015691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/2009/12/7-dose-mais-infancia.html' title='7ª dose - mais infância'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385.post-802272816214329572</id><published>2009-12-09T09:55:00.002-02:00</published><updated>2009-12-09T10:09:14.934-02:00</updated><title type='text'>6ª dose - uma boa leitura</title><content type='html'>O Maikon K. havia me falado de Fernando Bonassi na turnê do Malasartes. O nome do autor havia ficado na cabeça e, na semana passada, me chamou a atenção na vitrine do Sebo. "Prova Contrária" é o nome do livro. Muito interessante a forma como escreve, a narrativa é rápida, sem delongas e cheia de imagens. A história vai se revelando aos poucos. E não sei o porquê, mas dá uma sensação de que a medida que eu leio é como se estivesse escrevendo o livro também ou pelo menos dá vontade de ter escrito, sei lá. Levo adiante a dica do MK.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue a apresentação do livro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Se não fosse atestada tua morte, eu jamais compraria esta casa."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um apartamento vazio, uma mulher e o seu passado. Fragmentos que se juntam, espaços que traduzem uma ironia do destino. O sonho da casa própria se realiza diante do fim de um pesadelo. Depois de incessantes buscas, aquela mulher teve paz. Seu marido - um desaparecido político - fora finalmente considerado morto pelo governo brasileiro. A história tinha chegado ao fim. Será?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em "Prova Contrária", novo livro de Fernando Bonassi, o leitor vai ser convidado a participar de um curioso jogo cênico. É a mulher que conversa com o homem, é ele que dá sua versão para os fatos, é o passado que se mistura com o presente. É um rico exercício de possibilidades que surpreende o leitor ao abordar - de forma original - fragilidades, medos e suscetibilidades.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3139074412937533385-802272816214329572?l=emdosesdiarias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/802272816214329572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3139074412937533385&amp;postID=802272816214329572' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/802272816214329572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/802272816214329572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/2009/12/6-dose-uma-boa-leitura.html' title='6ª dose - uma boa leitura'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385.post-4926372293703660241</id><published>2009-12-08T08:18:00.003-02:00</published><updated>2009-12-08T08:50:14.646-02:00</updated><title type='text'>5ª dose - do ser criança</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Os alunos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Dia após dia nega-se às crianças o direito de ser crianças. Os fatos, que zombam desse direito, ostentam seus ensinamentos na vida cotidiana. O mundo trata os meninos ricos como se fossem dinheiro, para que se acostumem a atuar como o dinheiro atua. O mundo trata os meninos pobres como se fossem lixo, para que se transformem em lixo. E os do meio, os que não são ricos nem pobres, conserva-os atados à mesa do televisor, para que aceitem desde cedo, como destino, a vida prisioneira. Muita magia e muita sorte têm as crianças que conseguem ser crianças." (De pernas pro ar, a escola do mundo ao avesso - Eduardo Galeano)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querendo ou não a gente se compara com os outros, com os mais velhos e também com os mais novos e as diferenças são nítidas nas atitudes, nos hábitos, na forma de pensar e ler o mundo, na forma de ser. Não é difícil perceber as crianças perdendo a infância, é só tirarmos um pouco os olhos da tv, ou de repente, olharmos ela para além dela, ou quem sabe prestarmos atenção nas escolas, na família do vizinho. Grande parte das crianças perde a infância muito cedo. Cada vez mais elas parecem ser mini-adultos, e isso dá um medo! Não é incomum aquela fala do pai preocupado: "não quero que meu filho fique pra trás", daí o filho é inserido a seco na competitividade do mundo capitalista/consumista/e o caralho a quatro tendo que dar conta de várias competências e habilidades e fica pra trás quase todo o prazer da infância. Ou algo como "Meu filho é foda no cumputador, fala inglês, parece gente grande, já sabe o que quer desde pequeno, exige do bom  e do melhor, não quer qualquer marca de tênis e tem o vídeo-game de última geração." Fala-se nos meninos-prodígio, numa nova geração de crianças com racicínio mais rápido que o das gerações anteriores e coisa e tal. "É a evolução minha gente!" Fico me perguntando pra onde vai essa infância perdida. A sociedade adoece de tantos males, não ter infância deve contribuir para alguns desses. Mas enfim, não quero chover no molhado, acho que o texto do Galeano já nos instiga o suficiente a pensar sobre. "De pernas pro ar", eu encontrei na vitrine do sebo. Não é novidade dizer que o Galeano é fantástico, mas também não custa repetir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Da janela do carro vejo uma infância rebolando no céu, tremulando a rabiola. O vento pede licença, a pipa faz que não. O vento insiste, sopra forte. A pipa busca prum lado e pro outro. O vento tinha avisado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pic&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, o menino tá solto por aí.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt; (Vinicius da Cunha - setembro/2009)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3139074412937533385-4926372293703660241?l=emdosesdiarias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/4926372293703660241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3139074412937533385&amp;postID=4926372293703660241' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/4926372293703660241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/4926372293703660241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/2009/12/5-dose-do-ser-crianca.html' title='5ª dose - do ser criança'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385.post-4573802264950915345</id><published>2009-12-04T07:19:00.003-02:00</published><updated>2009-12-04T07:23:43.398-02:00</updated><title type='text'>4ª dose</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fui criança só uma vez. Infância tive várias. Hoje uma infância me visitou, meio apagadinha, bem leve. Rápida, dissolveu na língua, mal passou o vendedor de algodão-doce na minha rua.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tarefa de escola nº 2 – Desenhe sua família identificando cada integrante. Você pode colorir o quanto quiser.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que as pessoas que colecionam coisas tentam cobrir algo que lhe falta. Miguel coleciona de tudo. De uns tempos pra cá deu pra colecionar buracos. O primeiro é um que ele carrega no peito. Depois vem os outros. Nos álbuns de figurinhas deixa faltar uma e nem sempre é a mais difícil de achar. Vindo da escola ele conta os buracos no asfalto, apareceram dois novos essa semana. Antes de dormir ele tira um dos bonequinhos de brinquedo enfileirados na cômoda e coloca na gaveta, faz questão de deixar um lugar vago na fila imensa. Às vezes não é ele que controla essa ausência. Nas fotos de aniversário, uma cadeira sempre ficou vazia e naquela da parede da estante, tá lá ele, de goleiro, a bola na marca do pênalti sem ninguém pra chutar. O avô é que bateu as fotos.&lt;br /&gt;Pendurado na parede o seu desenho, a professora examina. Vê um morrinho inventado e no topo uma moça bonita de vestido florido, acima da cabeça um MÃE, “bem maiúsculo mesmo”. Em seguida vem o vô, sentado, “pra não cansar muito ou me esperando pra ouvir suas histórias”. Entre os dois tem o Miguel, com o buraquinho no peito. Aos pés do vô, seu inseparável companheiro, o cachorrinho Listrado. Depois do Miguel, o Listrado é a alegria do vô.&lt;br /&gt;A professora quis entender o que era aquela coisa circular, pintada de preto, um pouco torta, bem no canto do desenho, quase caindo da folha.&lt;br /&gt;- Um buraco ué!&lt;br /&gt;- E aquele p - saindo do buraco?&lt;br /&gt;- Não tá saindo não tia, tá entrando. Olha lá, o - ai até já tá dentro.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;Miguel lembrou dos porquês colados no caderno, não sabia qual usar nessa situação, então usou o da mãe:&lt;br /&gt;- Quando eu pergunto onde tá meu pai, minha mãe sempre diz “e eu lá vou saber em que buraco seu pai se enfiou?”.&lt;br /&gt;A professora deu um passo pro desenho do lado com o p- na garganta, minúsculo mesmo, mas difícil de engolir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3139074412937533385-4573802264950915345?l=emdosesdiarias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/4573802264950915345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3139074412937533385&amp;postID=4573802264950915345' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/4573802264950915345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/4573802264950915345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/2009/12/4-dose.html' title='4ª dose'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385.post-372989319471534374</id><published>2009-12-03T00:34:00.004-02:00</published><updated>2009-12-03T21:05:59.538-02:00</updated><title type='text'>3ª dose - náusea e vômito, por conta de Luiz Carlos Prestes</title><content type='html'>Experimentei mais uma vez tomar cerveja sozinho. Com duas garrafas de 600 me embebedei. Nunca fui forte com álcool, quem me conhece sabe. Mas o motivo da náusea e do vômito é outro. Gostaria aqui, de escrever o que pensei enquanto tomava solitariamente duas cervejas no bar, descrever o pedaço limitado de mundo que pude observar no ponto restrito onde me encontrava. Acontece que Luiz Carlos Prates conseguiu ser mais restrito ainda e esbanjou de sua boa dicção para fazer o que mais sabe, cometer graves equívocos e soltar absurdos por aquilo que se parece com uma boca humana, mas não há de ser.&lt;br /&gt;Veja você mesmo... &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=PMTHhbwUAqw&amp;amp;feature=player_embedded"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=PMTHhbwUAqw&amp;amp;feature=player_embedded&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fico pensando naquela imagem do jornalista atrás da mesa aparecendo apenas da cintura pra cima, de terno e samba-canção de coraçãozinho. Será que a samba-canção do Prates tem a foto do Figueiredo estampada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3139074412937533385-372989319471534374?l=emdosesdiarias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/372989319471534374/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3139074412937533385&amp;postID=372989319471534374' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/372989319471534374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/372989319471534374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/2009/12/3-dose-nausea-e-vomito-por-conta-de.html' title='3ª dose - náusea e vômito, por conta de Luiz Carlos Prestes'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385.post-6785093138499063001</id><published>2009-12-02T00:07:00.001-02:00</published><updated>2009-12-02T00:08:29.929-02:00</updated><title type='text'>2ª dose: um pouco de infância</title><content type='html'>&lt;em&gt;Minha infância tem me surpreendido com frequência nos últimos dois meses. Entre cheiros e lugares, histórias e sonhos, tenho me encontrado com meu eu-menino. E às vezes me vejo no meu sobrinho e no olhar dele acerca das coisas. Em outras ocasiões apenas admiro o jeito dele fazer poesia sem querer... Tudo isso me despertou ao risco de escrever coisas sobre o universo infantil. Divido aqui, meus riscos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tarefa de escola: Nº 1 – Recorte por que separado, porque junto, por quê separado com acento circunflexo e cole no seu caderno.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dia desses Miguel decidiu sua vida. Definitivamente, como sempre. Nunca volta atrás. Já foi bombeiro, policial, astronauta, encantador de nuvens, motorista de caminhão-pipa, corredor de Fórmula-1, jogador de futebol, professor, médico, soltador profissional de pipa, campeão mundial de chinelada em pernilongo na parede e, todos os dias, super-herói. Tudo em oito anos de existência. Veja lá, eu disse oito anos. Vida intensa. Crianças são assim...incansáveis.&lt;br /&gt;- Quando crescer, vou ser inventor de poesia.&lt;br /&gt;A mãe achou bonitinho.&lt;br /&gt;- Que lindo o meu filho!&lt;br /&gt;Ontem, quando Miguel chegou da escola e soltou um “assim não dá!”, ela quis saber o motivo.&lt;br /&gt;- Mãe, tô perdido, roubaram os meus porquês!&lt;br /&gt;Ela ficou pensando. “Ele levou a sério esse negócio de poeta”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3139074412937533385-6785093138499063001?l=emdosesdiarias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/6785093138499063001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3139074412937533385&amp;postID=6785093138499063001' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/6785093138499063001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/6785093138499063001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/2009/12/minha-infancia-tem-me-surpreendido-com.html' title='2ª dose: um pouco de infância'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3139074412937533385.post-1037229521851708514</id><published>2009-12-01T00:05:00.006-02:00</published><updated>2009-12-02T09:42:34.520-02:00</updated><title type='text'>1ª dose - "O inferno, se existe, é com certeza um lugar cheio"</title><content type='html'>Por hoje, não sei direito o que escrever aqui. Deveria ser uma postagem legal de abertura mas o dia me sugou demais a energia. Hoje fiquei a tarde toda no Presídio Regional de Joinville atendendo seus internos. Gente cujos olhos só brilham com o choro - os que ainda tem o que chorar. O certo é que poderia falar aqui de muita coisa que vi e que não gostaria de ter visto. Vou seguir a sugestão de um amigo e falar pouco. Sistema carcerário é um dos grandes dilemas da sociedade, embora assumido por poucos como tal. É difícil concluir qualquer coisa. Transcrevo abaixo um trecho do livro "Ó", de Nuno Ramos, uma preciosidade a que tive contato recentemente. Uma dose de reflexão, talvez...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"No entanto, é extramamente significativo que, ao prendermos as pessoas, as estejamos condenando a perder tempo. Na verdade, a sentença utiliza, quando castiga o réu, o tempo que ignorou ao julgá-lo. Uma condenação à prisão perpétua, até a morte, portanto, é a expressão invertida de uma falha da sentença, que precisaria, para ser efetivamente justa, examinar o caso desde o nascimento. Ao invés disso, condenamos um único ato (o crime), isolado da naturalidade que o viu nascer, da luz que bateu naquele dia, dos sons que chegavam aos ouvidos do criminoso, do sentimento que o afligia, do sonho que teve na noite anterior, transformando através dele todos os atos futuros do condenado em atos perdidos, como fumar guimba atrás de guimba, por anos incontáveis, num pátio cercado de guardas, ou construir um túnel que nunca alcançará o outro lado do muro". (trecho extraído do Livro "Ó", p. 84/85 Galinhas, justiça)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3139074412937533385-1037229521851708514?l=emdosesdiarias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/feeds/1037229521851708514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3139074412937533385&amp;postID=1037229521851708514' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/1037229521851708514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3139074412937533385/posts/default/1037229521851708514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emdosesdiarias.blogspot.com/2009/12/1-dose-o-inferno-se-existe-e-com.html' title='1ª dose - &quot;O inferno, se existe, é com certeza um lugar cheio&quot;'/><author><name>Vinicius da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09315111093010300801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_KyqXR6KwyR0/Sx2Wc-6AQMI/AAAAAAAAABg/SFqB9XZIBMs/S220/C%C3%B3pia+de+DSC05867.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
